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Qual o preço por não se interessar por política?

Primeiramente, você já parou para pensar qual o peso de um voto, o peso do seu voto? Seria ele caro ou barato? Para você ele vale muito ou pouco?

18/12/2021 12h55 Atualizada há 5 meses
Por: DA REDAÇÃO Fonte: Thiago Monteiro
Foto da internet.
Foto da internet.

Adentrando especificamente ao tema, partimos do referencial de que o ser humano é um animal racional orientado pelo princípio utilitarista que, segundo a obra de Jhon Stuart Mill, em “O Utilitarismo” de 1861 seria:

“O credo que aceita a utilidade, ou o Princípio da Maior Felicidade, como fundamento da moralidade, defende que as ações estão certas na medida em que tendem a promover a felicidade, erradas na medida em que tendem a produzir o reverso da felicidade.”.

Resumindo, seria o alcançar a maior recompensa possível com o menor esforço possível. Ou, em termos mais difundidos, “maximizar resultados com um menor número de recursos”.

Então, sendo seres utilitaristas ou, como alguns autores se referem, seres racionais, por que então deveríamos, na condição de indivíduo, debruçarmo-nos sobre política? E aqui não me refiro ao ato de prestar atenção à política no dia a dia com frequência que, obviamente, demanda mais esforço e tempo disponível, mas sim simplesmente ao ato de ir à cabine eleitoral votar.

Logo, como seres racionais, a vida acaba sendo pautada sobre um cálculo simples de: no que eu vou gastar o meu tempo e energia e onde isso seria mais efetivo?

Nessa linha, o filósofo brasileiro Pondé (2021) escreve: “o sucesso da escolha é a utilidade que a ação terá seguindo o objetivo maior, que é ampliar o bem-estar e diminuir o sofrimento”.

Nesse sentido, segundo o economista Brayan Caplan, tem-se que o cidadão comum escolhe racionalmente não gastar sua capacidade cognitiva, que como a de todo mundo é limitada, com elementos concretos da realidade (trabalho, frustrações, ocupações invisíveis aos outros, mas infinitas para quem vive) a gasta-la com política.

O que, evidentemente, não quer dizer que a sociedade está fadada ao colapso social e/ou ruptura institucional com o fim da democracia através do desinteresse do povo. Mas apenas que hoje a rotina de uma vida, que consiste em dividir o tempo entre trabalho, estudos, afazeres domésticos, família, relacionamentos etc, demanda uma quantidade de tempo muito grande. Portanto não seria de se espantar que, na pirâmide de importância de um indivíduo comum, a política, essa palavra tão distante e que cada vez mais se traduz em falta de representatividade, esteja dentre as últimas colocações.

E, assim, o seguinte pensamento é quase que inevitável: “ora, se meu voto é apenas um dentre milhões, por que deveria sair da minha individualidade de problemas infinitos para dar atenção à política, sendo que mal interfiro em algo? ”.

Esse tipo de pensamento é comum e atrativo, pois possui um baixo valor individual. O preço de se abster é muito baixo e quase imperceptível. Colocando em números como um exemplo ilustrativo, seria como se, por não prestação à política, saia do seu bolso apenas 10 reais de prejuízo. É muito? Não, na verdade é um valor que aparente ser bem aceitável. Um indivíduo já saturado de preocupações diversas aceita ter 10 reais de prejuízo como preço do seu desinteresse para que possa ter mais tempo com outras coisas.

Porém o problema é que esse comportamento não se restringe a apenas um, ou dez, ou cem e ou até mesmo a mil indivíduos. Esse é um tipo de cálculo e pensamento que ecoa em toda uma sociedade. Usando os números brasileiros apenas como exemplo, dos quase 150 milhões de eleitores, cerca de 1/3 (quase 50 milhões) decidiu se abster, votar branco ou nulo. Qual foi o preço disso para cada um? Baixo, custou aqueles 10 reais de prejuízo. Qual foi o preço disso para a sociedade? Nesse exemplo, seria meio bilhão de reis em prejuízo.

Meio bilhão que seriam cobrados dos empregos, do lazer, da comida e, em alguns casos, da vida de muitos.

Isso desprezando dos cálculos aqueles votos sem qualquer tipo avaliação mínima se X ou Y seria melhor ou pior, pois ai seria muito maior.

Nesse caso, uma pergunta se faz pertinente. Seria o ser humano um ser racional? Bem, se a racionalidade se resumir a pensar no agora ou, quando muito, no amanhã mais próximo então sim, o ser humano seria racional. Caso contrário, se essa característica fosse determinada segundo as atitudes voltadas para médio e longo prazo, visando um plano e meios para potencialização do bem-estar de todos, definitivamente o ser humano não seria um ser racional.

“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam” . - Platão.

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